O senador Luiz Henrique (PMDB-SC) defendeu em Plenário que o Brasil não perca a oportunidade de explorar as reservas brasileiras de terras raras – um conjunto de 17 elementos químicos, vários dos quais atualmente utilizados na fabricação de produtos de alta tecnologia. Produtos como TV digital, equipamentos de ressonância magnética, tomógrafos, LEDs, Ipad e Ipods, entre outros, são fabricados a partir desses 17 metais não ferrosos como európio, disprósio, térbio e neodímio. No futuro, disse o senador, eles poderão até mesmo fabricar produtos sofisticados como carros híbridos.

A exploração desse tipo de minério é dominada pela China, que responde por 97% da produção, com 120 mil toneladas ao ano, informou Luiz Henrique, segundo o qual o mercado mundial desses minerais movimentou US$ 2 bilhões em 2010. Em 2012, observou, este patamar deve atingir US$ 9 bilhões, se a demanda continuar no ritmo atual.

Com produção residual de apenas 650 toneladas de terras raras em 2009, o Brasil estaria praticamente fora desse boom, apesar de ostentar o título de terceiro maior produtor mundial, sendo a Índia o país que se encontra na segunda colocação – lamentou Luiz Henrique. Ele sinalizou que um produtor nacional afirmou existirem reservas de 20 mil toneladas de monazita, um dos minerais terras raras, no país.

O senador avalia que o Brasil deve investir na exploração de suas reservas minerais. Até o momento, no entanto, tem se mantido afastado da produção. A pesquisa é feita, relatou, pela empresa de economia mista Indústrias Nucleares do Brasil (INB), que substituiu a Nuclebrás. Atualmente, a INB, acrescentou, negocia com a Universidade Federal Fluminense (UFF) pesquisas no oceano para identificar novos depósitos de terras raras.

As terras raras são uma questão de soberania nacional, seja pela multiplicidade de seus usos, seja na defesa e fomento a sua produção, no arrojo empresarial, priorizando a transformação das jazidas em produtos que sejam capazes de alimentar a indústria mais avançada que existe no mundo. Essa é uma questão crucial para o futuro do país – advertiu o parlamentar, alertando que outros países querem se libertar do monopólio exercido pela China.

Luiz Henrique disse ser fundamental obter o domínio sobre a tecnologia do Európio, que, devido a sua capacidade de absorver nêutrons, está sendo estudado para uso em reatores nucleares. O senador afirmou também que o Japão passou a pesquisar terras raras em sua plataforma marítima, tendo efetuado uma descoberta de reserva no Oceano Pacífico.

Usando somente um quilômetro quadrado daquelas áreas, pode-se prover um quinto do consumo anual do mundo. Essa afirmação é do professor Yasuhiro Kato, professor de Ciências da Universidade de Tóquio, instituição esta que é uma das responsáveis pela descoberta – explicou o parlamentar, para quem a exploração desse tipo de minério é uma questão de soberania nacional, pela multiplicidade de seus usos, inclusive na área de defesa e da indústria de petróleo.

Fonte: http://correiodobrasil.com.br/luiz-henrique-brasil-precisa-investir-em-terras-raras-minerais-usados-em-produtos-de-alta-tecnologia%C2%A0/268097